Os primeiros dias são terríveis. Terríveis testes de auto-controle. Dá vontade de ligar, mandar mensagem, cartão postal, sinal de fumaça. Só pra saber se tá bem, se comeu direitinho e tomou o remédio. Saudade, saudade, saudade. Maldita falta de costume da ausência.
Voltei pra cama e abracei o travesseiro. E continuei pensando em como tudo era bom. Em como tudo era pra ser bom. Aí veio uma lágrima. E outra, outra, outra. Inevitável.
Ele me salvou de todas as maneiras que alguém poderia ser salvo.
O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar.
Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam, de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e, sim, para disfarçá-la, sufocá-la. Ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Existem coisas piores que estar sozinho, mas geralmente leva décadas para entender isso e quase sempre quando você entende é tarde demais. E não há nada pior que tarde demais.
Vamos parar pra refletir apenas por um minuto? Olha ao seu redor, olha seu mundo. Olha tudo em sua volta, não se esqueça de nenhum detalhe. Todos nós temos problemas não é mesmo? Tá tudo tão difícil pra cada um não é? Mais quem avisou a nós que seria tão fácil? ’’
Tá difícil, eu sei. Mais não vou desistir. Sabe por quê? Existe uma coisa chamada força, e acho que isso que me faz manter aqui. Minha força é constituída por isso tudo que ta em minha volta, minha família, meus amigos e principalmente minha vontade de superar isso tudo, é algo que não me falta.
A vida… Te pega, te agarra, te sufoca e depois te cospe como se não tivesse acontecido nada. E sabe o que significa? Que mais uma vez você superou. É sempre assim. Ás vezes bate a vontade de desistir, você se vê sem saída, e é como que só importasse tirar aquela dor ali de dentro de você. Você se ver dentro de um quarto preto fechado como se não pudesse sair de dentro dele, e o tempo vai passando dentro desse quarto e quando você acorda nada fica. Dentro dessa quarto você se lembra, se desespera, chora, a dor te sufoca que quase não sobra nada. Mais penso, e depois? Tudo passa. Então, vamos acordar pra vida! Ver as coisas pelo lado bom, porque tristeza só gera tristeza, coisa ruim só gera coisas ruins. E por ai vai.
Dói (…) o amor dói, a saudade dói, lembranças dói, perder dói, mais pensou no lado bom de cada uma dessas coisas que nós causam dores? Então… Tudo tem seu lado. Você só enxerga aquilo que quer viver. Então levanta, pegue sua chance de ser feliz agarra ela e vai embora. E que saber de uma coisa? Não volte.
E quando bater aquela vontade de desistir sabe? Aquela vontade que te sufoca sendo maior que você? Então, pensa no quanto sua vida tá boa, e que você tem forças e chances de ser feliz e ta jogando simplesmente pro vento levar embora. E quando ir embora você vai apenas se lamentar, pois não volta. Pelo menos uma vez, pensa nas pessoas que sofrem, e ainda são capazes se sorrir, pensa e leva consigo, que não há dor no mundo que você não possa suportar.
“Vamos viver, vamos ser feliz. Lembra que sempre haverá um novo dia pela frente, e que podemos sempre superar ele. Desistir não vale a pena, ficar esperando o tempo passar também não. Por isso to indo ser feliz, e quer saber? Não sei se volto.